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Um Imperativo Nacional
Por Tito de Morais,
Marketing Manager,
VIA NET.WORKS Portugal

A banda larga marcou o ano de 2002. Tudo leva a crer que 2003 continuará a ser marcado pela promoção das ligações em banda larga. Se estas têm todo o mérito, dado que os benefícios me parecem óbvios, preocupa-me que pouco se faça ao nível da promoção da utilização responsável e em segurança das novas tecnologias de informação e comunicação. É que sem este tipo de iniciativas, Portugal corre o risco de se tornar solo fértil para a pirataria informática internacional.

As estatísticas recentemente divulgadas pela ANACOM (http://www.anacom.pt/template12.jsp?categoryId=6247), relativas a serviços de transmissão de dados e serviços de acesso à Internet, se por um lado são animadoras, por outro são preocupantes. Sobretudo porque não incluem ainda o efeito previsível das promoções predatórias a que assistimos no final de 2002. A realidade do mercado actual, é concerteza radicalmente diferente, bastante mais preocupante.

Maior Conveniência, Maior Exposição
As redes e os dispositivos wireless, o cabo e o ADSL apresentam a vantagem de fornecerem ligações à Internet imediatas, permanentes e de alta velocidade. Estas características induzem perfis de utilização radicalmente diferentes do habitual. Fazendo uso da maior largura de banda disponível, os utilizadores de banda larga tendem a estar online mais vezes e por períodos mais alargados de tempo do que os utilizadores de ligações dial-up. Todavia, a par das conveniências referidas, a banda larga traz também novas ameaças e apresenta riscos de segurança acrescidos. Se a banda larga disponibiliza uma porta maior para o ciberespaço, também é verdade que essa porta está aberta nos dois sentidos. Isto é, sem as protecções adequadas, uma ligação de banda larga pode tornar um PC's - ou a rede interna que a utiliza - mais visível a partir da Internet do que uma ligação dial-up. Aumentando a sua visibilidade, aumentam também as possibilidades de serem alvo de um ataque. O mesmo acontece com a largura de banda disponibilizada. Tanto pode ser usada legitimamente, como ilegitimamente e por períodos de tempo mais alargados, tornando-se por isso um activo atraente para piratas informáticos.

Os Riscos de Segurança das Ligações de Banda Larga
Sem as protecções adequadas, este tipo de ligações estão mais expostas a intrusões, facilitam o acesso não autorizado, o roubo ou adulteração de dados pessoais e potenciam a sua utilização por utilizadores não autorizados, deixando a conta respectiva para ser paga pelo utilizador mais desprevenido. O que, atendendo aos novos limites de tráfego agora anunciados por diversos operadores, pode sair bem caro.

Este tipo de acessos apresenta ainda um nível acrescido de exposição. Tratando-se de acessos partilhados em termos de rede - o cabo é normalmente partilhado por diversas habitações que partilham uma mesma célula, o ADSL é partilhado do DSLAM até ao ISP e as ligações wireless são partilhadas por utilizadores dentro de um dado perímetro - o sniffing de pacotes é relativamente fácil de se fazer por um utilizador que partilhe a rede.

Utilizadores Mal Preparados
Enquanto as empresas dispõem de profissionais habilitados para implementarem soluções de protecção das suas redes, os utilizadores residenciais, os profissionais liberais, os empresários em nome individual, as micro e pequenas empresas nem sempre estão cientes dos perigos a que estão expostos e raramente dispõem dos recursos humanos referidos. De facto, este tipo de utilizadores raramente tem consciência que as ligações de banda larga tornam os seus computadores mais expostos e que se devem tomar medidas de protecção.

Comparando-se com a prestação das ligações dial-up, os utilizadores de ligações por cabo, wireless e ADSL experimentam aumentos exponenciais em termos de velocidade e conveniência. Todavia, são poucos os utilizadores que estão cientes dos potenciais problemas de segurança associados às ligações permanentes disponibilizadas pelos acessos por banda larga. A falta de conhecimentos técnicos torna-os assim, ainda mais vulneráveis. Tal como a Internet alterou a forma como os vírus se propagam, a banda larga constitui um ambiente propício aos piratas informáticos que exploram os utilizadores destas formas de acesso em franca expansão.

Um Imperativo Nacional
Urge então a adopção de medidas que visem salvaguardar os utilizadores. Urge o lançamento de um programa nacional que vise a promoção da utilização responsável e em segurança das novas tecnologias de informação e comunicação. Urge educar os utilizadores finais para a importância da adopção de medidas de protecção. Urge sensibilizar os utilizadores para a importância da actualização e manutenção das medidas de protecção adoptadas. A alternativa é sombria e acarreta custos substanciais, níveis reduzidos de produtividade, perda de informação confidencial, roubo ou adulteração de dados e, acima de tudo, uma redução drástica da confiança do consumidor nas novas tecnologias de informação. Algo que, dada a conjuntura actual, a economia dificilmente tolerará.

in Info&Net, suplemento de A Capital, de 24 de Janeiro de 2003

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