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"Estamos na Fase da Segurança e da Banda Larga"
Por António Miguel Ferreira,
Director Geral
VIA NET.WORKS Portugal

A utilização da Internet e das redes de comunicações de voz e dados são hoje aspectos indissociáveis da grande maioria das empresas, qualquer que seja a sua área de negócio e dimensão. Em Portugal, de 1995 até 2000 assistimos essencialmente a uma cada vez maior divulgação do acesso à Internet e a uma consciencialização da importância do “estar online” no desenvolvimento do negócio de cada empresa.

Desde então o mercado tem vindo a especializar-se e a tornar-se cada vez mais competitivo. Tem havido uma “selecção natural” por parte dos operadores e uma adopção de estratégias mais bem definidas. Alguns operadores continuam a ser fornecedores generalistas de serviços de telecomunicações enquanto outros se especializam no segmento empresarial apenas, privilegiando a qualidade de serviço e serviços de apoio, em detrimento do argumento mais fácil de utilizar por que não tem outros factores de diferenciação, que é o “baixo preço”.

Quando em 2000 começaram a surgir alguns novos operadores, na vaga de liberalização do mercado de telecomunicações, era frequente uma empresa querer seleccionar um único operador para o fornecimento de todas as suas necessidades de comunicação, seja de voz ou de dados. Hoje em dia, esse fenómeno não é tão evidente, pois existem operadores que de forma separada poderão provavelmente prestar melhores serviços em cada uma destas áreas, o que contribui também para uma menor dependência do cliente em relação a um único fornecedor.

Com o aumento das empresas ligadas à Internet e a maior utilização de redes privadas de comunicações, veio também o aumento da largura de banda, devido à crescente exigência das aplicações e da utilização da rede. Naturalmente acompanham este crescimento os fenómenos paralelos que prejudicam o fim para o qual são usados os meios de comunicação: aumento de produtividade, de eficiência, de competitividade. Os problemas de segurança, a publicidade indesejada (spam), os problemas de produtividade que uma incorrecta política interna de utilização da Internet pode provocar, as questões relacionadas com a confidencialidade e autenticidade das mensagens, etc. Este é o grande desafio para os operadores especializados no segmento empresarial do mercado e a grande necessidade das empresas, agora que a ligação é um dado adquirido. Mais do que renegociar ou aumentar a capacidade das suas ligações, a segurança de uma forma geral é, por exemplo, uma questão premente e bastante actual. O advento da “banda larga” significa também que a “porta de entrada” para a Internet é maior, logo os potenciais problemas de segurança são também maiores.

Daí que seja necessário abordar esta questão, quer a nível de política e procedimentos da empresa, quer, em termos mais práticos, relativamente aos mecanismos de segurança e confidencialidade que devem ser implementados em cada ligação ou em cada rede privada de comunicação. Desde uma simples firewall a sistemas mais complexos que envolvam níveis redundantes de firewalls, gateways anti-vírus e anti-spam, sistemas de autenticação, mecanismos de monitorização e reporting, até sistemas de segurança preditiva (baseados em tecnologias de inteligência artificial), existe já uma panóplia de soluções tecnológicas, que aliadas ao know-how e experiência de um operador ou prestador de serviços, podem responder satisfatoriamente às necessidades quer das micro-empresas (que representam uma parte importante do nosso tecido empresarial), quer das pequenas, médias e grandes organizações. Para cada orçamento existe uma solução mais adaptada, que tenha em conta a importância relativa que as comunicações representam em cada negócio.

Estamos portanto na fase da segurança e da banda larga, em que o advento de novas formas expectáveis de ligação (uma maior implantação das redes de fibra ópticas nas principais cidades, por parte de operadores alternativos, em concorrência com a rede tradicional) fará evoluir tecnologicamente as infra-estruturas e recursos de comunicações de cada empresa.

É importante quer para as empresas, quer para o País, um ritmo mais elevado de adopção destas tecnologias de comunicação de uma forma segura, para nos mantermos competitivos no renovado espaço europeu e no seio da economia mundial. As comunicações e a segurança não são meramente um custo, mas antes um investimento, que potencia o core-business de cada empresa e é sob esta perspectiva que devem ser analisadas. O retorno desse investimento é feito no aumento de produtividade, através da melhoria nas condições proporcionadas aos colaboradores para levarem a cabo o seu trabalho, de eficiência, de visibilidade no mercado e de inovação. E se o sector privado tem estado a investir nesta área, o papel regulador e incentivador do Estado é fundamental. Afinal, a competitividade da nossa economia também depende da estratégia adoptada para o desenvolvimento tecnológico e da sociedade de informação.

António Miguel Ferreira
in Distribuição em Foco - A Internet e o Mundo Empresarial, 1 a 15 de Junho de 2003
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